Borges e a internet

Em sua coluna, Todoprosa, no post “Cadê o iPod dos livros?” de 24/01/07, Sérgio Rodrigues escreveu: “uma engenhoca tipo iPod dedicada a livros está demorando a aparecer”. Quando li o artigo deu-me vontade de possuir uma maquineta dessas e colocar na prateleira, ali do lado do Livro de areia, do Borges. Agora, pensando com calma, acredito que ficaria muito bem, entre os meus The Book of Sand da Penguin Classics e o El libro de arena da Alianza Editorial… Claro que depois já tive mais idéias como: pintar as laterais do tal i-book (?!), escrever meu nome com estilete, colocar uma capa ou fazer uma caixa de pergaminho e gravar uma suposta lombada com arabescos em ouro velho e a palavra INFINITU (em Trajan), etc. Como faço com meus livros.

Será que Borges, se vivo estivesse e lúcido, é claro –, será que ele reconheceria na internet o seu “livro de areia”?

La línea consta de un número infinito de puntos; el plano, de un número infinito de líneas; el volumen, de un número infinito de planos; el hipervolumen, de un número infinito de volúmenes…

A linha consta de um número infinito de pontos; o plano, de um número infinito de linhas; o volume, de um número infinito de planos; o hipervolume, de um número infinito de volumes…

The line consists of an infinite number of points; the plane, of an infinite number of lines; the volume, of an infinite number of planes; the hypervolume, of an infinite number of volumes…

  • Se algum viajante, numa madrugada insone, aportar por aqui e souber em outras línguas, esta frase inicial do Livro de areia, eu terei imenso prazer em colocar neste post. Lamento informar que não disponho de nenhum exemplar da black letter de Wiclif…
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2 comentários sobre “Borges e a internet

  1. Parabéns pelo ótimo site.

    Um souvenir:

    The Back letter Wyclif: http://www.rarebookroom.org/Control/wycnts/index.html

    Creio que Borges associaria a internet à sua Biblioteca de Babel.

    Curiosidade: o mesmo texto que inicia o Livro de Areia, Borges utiliza em um prefácio que ele escreveu para o livro Matemática e Imaginação de Edward Kasner. É nesse livro (que faz parte da biblioteca essencial de Borges, mais detalhes no livro IV de sua obras completas) que aparece a palavra “Googol” na qual, quase 50 anos depois, Larry Page e Sergey Brin se inspiraram para dar nome ao seu site de busca “Google”.

    Borges era um visionário!

    Claudio,
    fico feliz que tenha gostado de meu blog. Obrigada. Borges é sempre uma ótima “desculpa” para conversar! Espero que você tenha visto os links do site Internetaleph, de Martin Hadis, onde há vários textos falando do assunto “Borges e a internet”, incluindo este ótimo ensaio do próprio Hadis.
    Apreciei por demais a curiosidade sobre o prefácio e a palavra Googol.
    Um abraço, Raquel

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