Livros ilustrados por Tarsila do Amaral

Livros ilustrados por Tarsila do Amaral

Quando comprei os livros não percebi a assinatura nas ilustrações. O primeiro que vi na prateleira foi o Comentários (de bello gallico) de Cesar, que escolhi pensando ser uma tradução diferente da que eu já possuía. Li apenas uma parte da apresentação, que é muito interessante e não percebi que a tradução era a mesma, de Francisco Sotero do Reis. Acabei comprando todas que achei: Obras de Cícero, as Cartas de amor de Abelardo e Heloisa e Pensamentos de Marco Aurélio.

Mais tarde, olhando com calma e analisando para ver o que seria possível fazer em matéria de restauro dos livros, vi a assinatura. Fiquei na dúvida. As ilustrações seriam mesmo da Tarsila?! Comentando com Leticia recebi o que chamo de prova irrefutável de autoria “filhinha, frila a gente não recusa”. Esse trabalho de ilustração é citado nesta página no site da TV Cultura e no artigo “‘Fundo de gaveta’ revela Tarsila ilustradora” na Folha de S. Paulo em 19/01/2008, trecho abaixo:

O catálogo que registra a obra completa da modernista Tarsila do Amaral irá reunir cerca de 2.000 trabalhos, quase o dobro do resultado do primeiro levantamento sobre a produção da artista, publicado em 1975, e realizado pela crítica e curadora Aracy Amaral.
Organizada por uma parceira entre a produtora Base 7 e a Pinacoteca do Estado, a nova publicação ampliou consideravelmente o número de obras conhecidas da artista ao incorporar uma grande quantidade de ilustrações para livros e jornais.
“Nossa previsão era de um acréscimo de 20% de obras, mas encontramos muitas ilustrações. Só entre 1940 e 1944 ela ilustrou 29 livros para a série “Os Mestres do Pensamento”, dirigida por José Pérez”, conta Maria Eugênia Saturni, diretora da Base 7. Artigo completo aqui.

Cartas de Amor, Abelardo e Heloísa | Pensamentos, Marco Aurélio | Obras, Cícero | Comentários (de bello gallico), Cesar
Cartas de Amor, Abelardo e Heloísa | Pensamentos, Marco Aurélio | Obras, Cícero | Comentários (de bello gallico), Cesar

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Capas | Sarita e seus amiguinhos

Não, a capa não é bonita, mas é da cartilha com a qual fui alfabetizada. Eu nem lembrava mais das imagens, somente das letras – cursivas arredondadas que eu achava o máximo e tentava imitar fazendo um esforço enorme com a mão! Por muito tempo procurei por um exemplar da “Cartilha da Sarita”, que eu jurava era o nome do livro, pois o meu exemplar não faço a menor ideia que fim levou… Procurei em sebos de Porto Alegre e Pelotas, e nada. Parece que ninguém nunca a usou. A única informação foi do site da UFRGs.

Se alguém souber de algum exemplar com um preço modesto, por favor, entre em contato.

Sarita e seus amiguinhos

Sarita e seus amiguinhos, de Cecy Cordeiro Thofehrn e Jandira Cardias Szechir, Editora do Brasil S/A, 1953. Imagens e dados do site da UFRGs,

A pequena diagramadora

Eu já mencionei aqui a coleção “O livro dos nosso filhos” e de como foi importante para as minhas primeiras leituras. Volto a utilizar uma imagem do segundo volume de um capítulo “A pequena dona-de-casa” que inicia assim:

“É uma menina cheia de bons desejos. Quer alternar o estudo e as brincadeiras com a mais doce e agradável das atividades femininas: a de pequena dona-de-casa.”

Para ser sincera eu não lembro se li esse capítulo ou apenas olhei as figuras. Acho que não li… Mais tarde estudei mecânica industrial e tinha por lema “meu negócio é graxa não é sabão”. Mas acredito que a diagramadora, que sou hoje, iniciou com a imagem acima que nunca esqueci – era uma das minhas prediletas: tudo arrumadíssimo!

E como armários e blogs também precisam de constante arrumações cá estou mudando pela enésima vez!

pequena diagramadora

Makura no Soshi, Pillow Book ou Livro de cabeceira | Sei Shonagon

Makura no Soshi, Pillow Book, Livro de travesseiro ou O livro de cabeceira , qualquer um dos títulos são do livro que deram nome a este pedacinho da internet onde coloco minhas anotações e minhas listas.

A primeira vez que ouvi falar sobre Makura no Soshi ou The Pillow Book que significa “O livro de cabeceira”* de Sei Shonagon, foi quando assisti o filme The Pillowbook de Peter Greenaway.

Sei Shonagon – autora do livro, escrito entre 996 e 1021, ano em que foram feitos as últimas adições – era filha de Kiyohara Motosuke, um dos compiladores da antologia Gosenshu de poesia waka**. Em 993, divorciada e livre dos deveres de esposa, mas inteligente e grande conhecedora dos clássicos chineses, algo incomum para uma mulher naquela época, Sei entrou para os serviços de Teishi, esposa do imperador Ichijo. Durante o período que serviu a imperatriz despertou a ira de Murasaki Shikibu, autora de Genji Monogatari ou História de Genji, que a descreveu como uma pessoa que gostava de “exibir” seus conhecimentos. Depois da morte de Teishi, Sei Shonagon deixou a corte e nada mais sabe-se dela.

O livro Sei Shonagon, era composto de várias anotações que podem ser classificadas em três grandes grupos:

  1. listas de todos os tipos como “Coisas que me Irritam”;
  2. anotações e descrição das atividades diárias de Shonagon na corte;
  3. considerações sobre assuntos como beleza, a vida etc.

Sobre o título do livro algumas explicações e possibilidades. Uma delas conta que Fujiwara no Korechika teria dado de presente para a sua irmã, a imperatriz, um soshi (caderno em branco para notas = blank notebook) e teria sugerido que ela usasse como makura (travesseiro = pillow), daí o nome do livro. Mas há outras interpretações como:

  1. o caderno de notas serviria também como travesseiro;
  2. o caderno notas ficaria próximo ao travesseiro sempre a mão para anotar quaisquer impressões ou acontecimentos;
  3. makura seria uma alusão a um poema de uma antologia chinesa (Hakushi monju) que descrevia um homem com cabelos brancos que não tinha nada para fazer e dormia o dia todo usando um livro como travesseiro
  4. seria uma alusão ao makurakotoba (travesseiro de palavras = pillow words) que convencionalmente modifica certas palavras em poesia waka e teria alguma similaridade com as inúmeras listas do livro de Sei Shonagon.

Eu ainda nao li O livro de cabeceira – está numa imensa lista de livros que quero ler e ter, se possível – mas por tudo que li sobre o livro me parece o nome adequado para este blog de anotações pessoais. A maioria das informações e as linhas de abertura do livro (abaixo) foram baseadas nas informações do site The Japanese Literature Home Page.

In spring, it is the dawn. The sky at the edge of the mountains slowly starts to brighten with the approach of day, and the thinly trailing clouds nearby are tinted purple.

In summer, it is the night. It is of course delightful when the moon is out, but no less so on dark nights when countless fireflies can be seen mingling in flight. One even feels charmed when just one or two pass by, giving off a gentle glow. Rainy nights, too, are delightful.

In autumn, it is the evening. As the setting sun draws closer to the mountains, the crows hastily fly back to their nests in threes and fours and twos. Even more delightful is the sight of a line of geese flying far overhead. Then, after the sun has set, the crying of insects and the sound of the wind have a charm that goes without saying.

In winter, it is the early morning. Of course it is delightful when snow is falling, but even when there is a pure-white frost – or in the freezing cold without either snow or frost – the way the fire is hurriedly stirred up and coals carried to all the rooms seems most suited to the season. As the day wears on and the cold gradually loses its bite, the braziers go untended and the coals become disagreeably coated with white ash.

Nota em 6 de janeiro de 2017: este post foi escrito para explicar o antigo nome do blog: my pillowbook.

A palavra

Esta semana depois de escrever “a ‘palavra’ deveria ser sagrada numa editora” lembrei-me do manifesto “This is a printing office”.

This is a printing office, Beatrice Warde manifesto

Ano passado fiz um post no meu Residence of Gods sobre Beatrice Warde e seu famoso manifesto mas não traduzi o texto. Faço agora, não uma tradução mas uma “interpretação”. Não consegui apreender exatamente “not to vary with the writer’s hand”, mas fica abaixo a tentativa.

ESTA CASA É UMA EDITORA
Ponto crucial de civilização · Refúgio de
todas as artes contra os ataques do tempo ·
Armadura da verdade destemida contra
rumores maledicentes · Incansável divulgadora
de arte · Deste local as palavras podem ir
longe, não para perecer como ondas de som,
não para variar de acordo com a mão do escritor mas
fixadas no tempo, tendo sido verificadas e
comprovadas · Amigo, você está em solo sagrado,
Esta Casa é uma Editora
BEATRICE WARDE