Makura no Soshi, Pillow Book ou Livro de cabeceira | Sei Shonagon

Makura no Soshi, Pillow Book, Livro de travesseiro ou O livro de cabeceira , qualquer um dos títulos são do livro que deram nome a este pedacinho da internet onde coloco minhas anotações e minhas listas.

A primeira vez que ouvi falar sobre Makura no Soshi ou The Pillow Book que significa “O livro de cabeceira”* de Sei Shonagon, foi quando assisti o filme The Pillowbook de Peter Greenaway.

Sei Shonagon – autora do livro, escrito entre 996 e 1021, ano em que foram feitos as últimas adições – era filha de Kiyohara Motosuke, um dos compiladores da antologia Gosenshu de poesia waka**. Em 993, divorciada e livre dos deveres de esposa, mas inteligente e grande conhecedora dos clássicos chineses, algo incomum para uma mulher naquela época, Sei entrou para os serviços de Teishi, esposa do imperador Ichijo. Durante o período que serviu a imperatriz despertou a ira de Murasaki Shikibu, autora de Genji Monogatari ou História de Genji, que a descreveu como uma pessoa que gostava de “exibir” seus conhecimentos. Depois da morte de Teishi, Sei Shonagon deixou a corte e nada mais sabe-se dela.

O livro Sei Shonagon, era composto de várias anotações que podem ser classificadas em três grandes grupos:

  1. listas de todos os tipos como “Coisas que me Irritam”;
  2. anotações e descrição das atividades diárias de Shonagon na corte;
  3. considerações sobre assuntos como beleza, a vida etc.

Sobre o título do livro algumas explicações e possibilidades. Uma delas conta que Fujiwara no Korechika teria dado de presente para a sua irmã, a imperatriz, um soshi (caderno em branco para notas = blank notebook) e teria sugerido que ela usasse como makura (travesseiro = pillow), daí o nome do livro. Mas há outras interpretações como:

  1. o caderno de notas serviria também como travesseiro;
  2. o caderno notas ficaria próximo ao travesseiro sempre a mão para anotar quaisquer impressões ou acontecimentos;
  3. makura seria uma alusão a um poema de uma antologia chinesa (Hakushi monju) que descrevia um homem com cabelos brancos que não tinha nada para fazer e dormia o dia todo usando um livro como travesseiro
  4. seria uma alusão ao makurakotoba (travesseiro de palavras = pillow words) que convencionalmente modifica certas palavras em poesia waka e teria alguma similaridade com as inúmeras listas do livro de Sei Shonagon.

Eu ainda nao li O livro de cabeceira – está numa imensa lista de livros que quero ler e ter, se possível – mas por tudo que li sobre o livro me parece o nome adequado para este blog de anotações pessoais. A maioria das informações e as linhas de abertura do livro (abaixo) foram baseadas nas informações do site The Japanese Literature Home Page.

In spring, it is the dawn. The sky at the edge of the mountains slowly starts to brighten with the approach of day, and the thinly trailing clouds nearby are tinted purple.

In summer, it is the night. It is of course delightful when the moon is out, but no less so on dark nights when countless fireflies can be seen mingling in flight. One even feels charmed when just one or two pass by, giving off a gentle glow. Rainy nights, too, are delightful.

In autumn, it is the evening. As the setting sun draws closer to the mountains, the crows hastily fly back to their nests in threes and fours and twos. Even more delightful is the sight of a line of geese flying far overhead. Then, after the sun has set, the crying of insects and the sound of the wind have a charm that goes without saying.

In winter, it is the early morning. Of course it is delightful when snow is falling, but even when there is a pure-white frost – or in the freezing cold without either snow or frost – the way the fire is hurriedly stirred up and coals carried to all the rooms seems most suited to the season. As the day wears on and the cold gradually loses its bite, the braziers go untended and the coals become disagreeably coated with white ash.

Nota em 6 de janeiro de 2017: este post foi escrito para explicar o antigo nome do blog: my pillowbook.